Em um país onde a caderneta de poupança ainda domina, compreender os padrões de quem consegue acumular recursos é fundamental para inspirar mudanças reais.
Este guia reúne dados, perfis e práticas para guiar você rumo a uma vida financeira mais segura e próspera.
O cenário do brasileiro poupador
Atualmente, cerca de 23% dos brasileiros utilizam a caderneta de poupança como principal forma de guardar dinheiro, o que equivale a aproximadamente 32 milhões de pessoas. Apesar de ser vista como reserva de emergência prioritária, apenas 37% da população investe de fato, limitando-se a opções conservadoras.
Esse comportamento está diretamente ligado à falta de educação financeira, renda baixa e elevado nível de endividamento: 61% das pessoas afirmam não conseguir poupar, enquanto apenas 34% mantêm alguma reserva.
As classes C, D e E são as mais dependentes da poupança (com 24% e 16%, respectivamente), em contraste com o estrato A/B, que já explora fundos, títulos privados e até criptomoedas.
Perfis de poupadores e suas motivações
Segundo dados da ANBIMA, existem quatro perfis principais de poupadores:
- Sem Reservas (52%): fora do sistema financeiro, sofrem com estresse e falta de liquidez.
- Economiza e não investe (12%): guardam dinheiro, mas não aplicam; falta orientação e produto adequado.
- Caderneta (20%): conservadores, avessos a riscos, buscam liquidez imediata.
- Diversifica (17%): investem em múltiplos produtos, com domínio financeiro e perfil digital.
O principal motivo para optar pela poupança é a segurança (24%), seguido pela facilidade (20%) e confiança na instituição (19%). O medo de perder dinheiro em alternativas mais arriscadas mantém muitos investidores fiéis ao tradicional.
O mito da caderneta de poupança
Embora ofereça segurança, o rendimento da poupança em 2025 varia entre 0,61% e 0,67% ao mês, bem abaixo de outras opções de renda fixa. Essa diferença impacta diretamente a construção de patrimônio no longo prazo.
O uso frequente da poupança para cobrir despesas emergenciais torna difícil o estabelecimento de uma reserva sólida. Além disso, saques superiores a depósitos — mais de R$ 78 bilhões entre janeiro e setembro de 2025 — mostram o aperto financeiro de muitas famílias.
Transformação pela digitalização e diversificação
A aceleração da digitalização tem alterado esse quadro. Hoje, 49% dos investidores usam aplicativos bancários como canal principal; entre a Geração Z, esse índice ultrapassa 60%.
Os jovens de 16 a 28 anos já demonstram maior abertura a fundos de investimento, títulos privados e moedas digitais, sinalizando tendência de alta diversificação e maior aceitação de risco no futuro.
Desafios e perigos do endividamento
O recorde de endividamento — 77% das famílias com dívidas — é o maior entrave para poupar. Entre a população, 39% estão endividados, e 23% acreditam que ficarão ainda mais no vermelho até o fim de 2025.
Quando a reserva existe, é usada para equilibrar contas correntes, o que impede o acúmulo para objetivos de médio e longo prazos.
Práticas eficazes para transformar hábitos
- Defina metas financeiras claras e mensuráveis.
- Automatize transferências mensais para contas de investimento.
- Estude produtos financeiros antes de aplicar recursos.
- Monitore seu orçamento e ajuste gastos supérfluos.
- Participe de grupos ou plataformas de educação financeira.
Essas rotinas, adotadas por poupadores bem-sucedidos, exigem disciplina e planejamento diário, mas geram resultados consistentes ao longo do tempo.
O futuro dos investimentos no Brasil
Para 2025, a expectativa é que a poupança ainda seja o destino principal (21%), mas produtos de maior diversificação ganham espaço: imóveis (12%), fundos (7%), títulos privados (6%) e moedas digitais (5%).
No entanto, a parcela de quem se prepara para a aposentadoria diminuiu de 36% em 2024 para 34% em 2025, enquanto os que não planejam guardar aumentaram de 23% para 27%.
Investir com consciência, combinando diversificação e visão de longo prazo, será cada vez mais decisivo para enfrentar desafios econômicos e alcançar sonhos individuais.
Conclusão
Mudar hábitos financeiros requer atitude e informação. A educação financeira é a base que transforma o bolso e a vida. Ao entender perfis, aproveitar a digitalização e adotar práticas comprovadas, qualquer pessoa pode sair do ciclo de endividamento e construir um futuro mais seguro.
O segredo dos poupadores está em aliar disciplina, diversificação e planejamento — elementos que, juntos, tornam sonhos viáveis e elevam o padrão de vida.
Referências
- https://www.anbima.com.br/pt_br/noticias/caderneta-de-poupanca-recua-mas-ainda-e-o-investimento-preferido-da-populacao-brasileira-segundo-anbima.htm
- https://www.superrico.com.br/Artigo/brasileiro-poupa-mas-nao-investe
- https://borainvestir.b3.com.br/objetivos-financeiros/investir-melhor/so-37-dos-brasileiros-investem-e-poupanca-segue-como-opcao-preferida-ate-da-classe-a/
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/financas/maioria-dos-brasileiros-nao-consegue-guardar-dinheiro-mostra-pesquisa/
- https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/10/08/ate-setembro-brasileiros-sacaram-mais-dinheiro-da-poupanca-do-que-em-todo-o-ano-de-2024.ghtml
- https://portal.febraban.org.br/noticia/4324/pt-br/
- https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/ana-alves/golpes-dividas-e-esperanca-o-retrato-financeiro-do-brasil-em-2025-e-como-se-proteger-1.3697213
- https://blog.nubank.com.br/qual-o-rendimento-da-poupanca/
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia/rasil-poupanca-endividamento-futuro/







