O Dilema entre Lucro e Propósito: Investindo em Empresas ESG

O Dilema entre Lucro e Propósito: Investindo em Empresas ESG

No pulsar acelerado do mercado global, surge uma tensão fundamental: empresas buscam expandir lucros ao mesmo tempo em que respondem às demandas por responsabilidade socioambiental. O conceito ESG (Ambiental, Social e Governança) emergiu como bússola para orientar decisões estratégicas, mas também trouxe à tona um dilema profundo: como harmonizar objetivos financeiros com compromissos éticos? Em 2025, o Brasil avança no debate. Investidores, consumidores e colaboradores exigem resultados que impactem positivamente o planeta e a sociedade, sem renunciar à rentabilidade.

Introdução ao Dilema

A adoção de ESG no Brasil já atinge 76% das empresas, segundo o Amcham Panorama 2025. No entanto, mais de 50% sem comprovação de retorno financeiro enfrentam desafios para quantificar efeitos diretos no caixa. Esse descompasso evidencia a necessidade de métricas sofisticadas e relatórios padronizados, capazes de traduzir esforços em números claros.

Para gestores, a pergunta permanece: vale a pena sacrificar ganhos imediatos por ganhos reputacionais e sociais de longo prazo? A resposta positiva está nas corporações que integraram ESG em sua cultura organizacional e em seus processos de decisão, exibindo resultados sustentáveis e robustos mesmo em cenários econômicos adversos.

Adoção ESG no Brasil

O cenário brasileiro é marcado por avanços significativos. Em 2025, 72% das empresas alinhavam práticas sustentáveis ao planejamento estratégico, e 48% utilizavam benchmarks externos para avaliar desempenho. Contudo, apenas 39% mantinham equipe dedicada a ESG. Este contraste aponta para uma janela de oportunidade: estruturando áreas específicas, organizações fortalecem sua capacidade de implementar e monitorar iniciativas.

Em micro e pequenas empresas do Rio de Janeiro, pesquisas da Firjan ESG 2025 indicam ainda mais dificuldades para adequação. Ainda assim, cada vez mais cooperativas e startups buscam certificações e treinamentos para superar a curva de aprendizado, fortalecendo a cadeia produtiva local.

Rankings e Líderes

Os rankings globais e nacionais comprovam que sustentabilidade e desempenho financeiro caminham juntos. A lista “Melhores do Mundo – Crescimento Sustentável 2025” da TIME/Statista inclui 46 empresas brasileiras que se destacaram por critérios rigorosos:

Empresas como Odontoprev (6ª posição) e AES Brasil (7ª) provaram que empresas podem gerar valor além do lucro, liderando setores médico e energético, respectivamente. No âmbito nacional, o Anuário Integridade ESG 2025 consagrou a Natura como campeã geral, seguida por Banco do Brasil e Bradesco, destacando o peso do setor financeiro em práticas responsáveis.

Exemplos de Empresas Inovadoras

Natura, líder incontestável no ranking nacional, estabeleceu metas ambiciosas para regeneração de natureza e comunidades. Com foco na economia circular, investe em logística reversa e em pesquisas para redução de impactos hídricos. Seu compromisso com 100% de ingredientes de origem sustentável até 2050 inspira todo o mercado.

A cooperativa Sicoob demonstra que modelos de governança compartilhada podem impulsionar o desenvolvimento local. Em 2024, beneficiou 4,4 milhões de pessoas por meio de programas educativos e campanhas socioambientais, as quais alcançaram mais de 14 milhões de indivíduos pela comunicação digital.

No setor de tecnologia, a vhsys integra ESG ao cerne de sua cultura. Reginaldo Stocco destaca: “Quando agenda ESG vira parte da cultura, cria-se valor para o negócio e comunidades. Tecnologia e sustentabilidade caminham juntas.” Essa filosofia atrai investidores que buscam negócios com propósito e solidez.

Além dessas, empresas de médio porte como Localiza, RaiaDrogasil e WEG figuram em posições de destaque no Top 100 Global, reforçando que diversos segmentos convergem para práticas responsáveis. A diversidade de setores evidencia que ESG não é privilégio de uma indústria, mas imperativo transversal.

Desafios e Lacunas

Apesar do progresso, há barreiras a superar:

  • Padronização de relatórios ainda incipiente, dificultando comparações.
  • Escassez de profissionais qualificados em sustentabilidade e compliance.
  • Dependência de fornecedores sem práticas sustentáveis formalizadas.
  • Necessidade de alinhar metas ESG a modelos de remuneração e incentivos.

Para solucionar esses pontos, muitas empresas já recorrem a consultorias especializadas e certificações internacionais, buscando modelos de maturidade que garantam aderência às melhores práticas globais.

Tendências para 2025

As projeções indicam consolidar movimentos essenciais:

  • Uso intensivo de big data e inteligência artificial para monitoramento de emissões e cadeias de suprimentos.
  • Projetos de regeneração ambiental como embelezamento urbano e reflorestamento comunitário.
  • Construção de parcerias público-privadas para ampliar alcance social.
  • Valorização de métricas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Esse panorama reforça que empresas devem investir em ferramentas tecnológicas e na capacitação de equipes, consolidando o ESG como elemento central da estratégia corporativa.

Investimento em ESG: Atraindo Capital

Investidores institucionais e fundos de private equity têm alocado recursos crescentes em ativos ESG. A análise de riscos e oportunidades passa a incorporar fatores climáticos e sociais, reduzindo a volatilidade e aumentando a resiliência dos portfólios.

Em 2025, fundos especializados em sustentabilidade no Brasil captaram recorde de R$ 12 bilhões, segundo a Anbima. Isso demonstra que confiança e estabilidade para o investidor estão diretamente atrelados à governança corporativa e ao cumprimento de metas socioambientais.

Modelos de valuation agora consideram créditos de carbono, certificações verdes e índices de diversidade, tornando palpável o valor de empresas com práticas ESG avançadas.

Conclusão

O dilema entre lucro e propósito se converte em uma oportunidade singular para empresas que desejam se destacar no ambiente competitivo de 2025. Por meio de infraestrutura de governança estruturada e cultura engajada, é possível conciliar resultados financeiros com impacto positivo. Ao adotar métricas padronizadas, investir em tecnologia e capacitação interna, as organizações solidificam sua posição e contribuem para um futuro mais sustentável. Em um mundo que exige responsabilidade, investir em ESG não é apenas tendência, mas imperativo estratégico.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros atua como analista de comportamento financeiro no sabertotal.com. Ele transforma conceitos importantes — como controle de gastos, gestão de dívidas e tomada de decisões — em conteúdos acessíveis que orientam leitores a construírem uma relação mais equilibrada com o dinheiro.