Investir em Conhecimento: O Melhor Ativo de Todos

Investir em Conhecimento: O Melhor Ativo de Todos

Em um mundo acelerado pela informação e pela inovação, reconhecer o conhecimento como um ativo fundamental é a chave para desbloquear oportunidades ilimitadas. Diferente de bens que se desgastam, o saber se expande com o uso, criando um ciclo virtuoso de crescimento pessoal, empresarial e nacional.

Por que Conhecimento é o Melhor Ativo

O conhecimento não segue as leis da depreciação; ao contrário, ele se valoriza. Não se deprecia com o uso e se transforma em capital intelectual que gera renda e influência.

Para o indivíduo, cursos, leituras e especializações elevam o potencial de renda ao longo da vida. Para empresas, pesquisa e desenvolvimento impulsionam produtividade e inovação, criando produtos e serviços competitivos. Para países, investir em educação e ciência constrói bases sólidas para o crescimento sustentável e a competitividade global.

O Panorama Brasileiro de Investimento em Ciência e Educação

O Brasil já atingiu mais de 1% do PIB em P&D em 2015, mas recuou nos anos seguintes. Em 2021, o país destinou aproximadamente 1% do PIB enquanto a média mundial ficou em cerca de 2,5%.

Em reais, o "Orçamento do Conhecimento" chegou a R$ 38 bilhões em 2014, mas perdeu R$ 117 bilhões em valores corrigidos até 2023. Somente para recompor esse montante seriam necessários R$ 86 bilhões adicionais.

Universidades e Produção Científica em Declínio?

Apesar de contar com 69 universidades federais e 314 campi, responsáveis por 95% da pesquisa nacional, o Brasil enfrenta retração na produção acadêmica. Em 2023, foram publicados 69.656 artigos, queda de 7,2% em relação a 2022.

Da mesma forma, o ranking mundial CWUR identificou que 46 das 53 instituições brasileiras perderam posições, sobretudo por conta do fraco desempenho em pesquisa. A causa principal, apontam estudiosos, é a escassez de verba e a lenta retomada de projetos pós-pandemia.

Como resposta, houve reajuste nas bolsas de pós-graduação após uma década sem aumento, passo importante para a recomposição do sistema.

O Modelo Descentralizado e o Papel das Fundações Estaduais

As Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) estaduais passaram a ser as principais financiadoras em CT&I, vinculando orçamentos a 0,5–2% da arrecadação tributária. Esse modelo descentralizado e federalista estimula iniciativas locais, mas pode ampliar desigualdades regionais.

Estados com maior arrecadação investem mais, enquanto regiões menos favorecidas têm menos recursos. É preciso equilibrar autonomia com políticas nacionais para manter coesão e evitar abismos de inovação.

Inovação Industrial e Parcerias Público-Privadas

Em 2024, o programa Nova Indústria Brasil (NIB) alcançou recorde histórico de R$ 34 bilhões aprovados em financiamento para inovação industrial. A FINEP registrou crescimento de 232,8% em aprovações e a Embrapii destinou R$ 1 bilhão a 610 projetos.

O BNDES, por sua vez, tinha R$ 11,1 bilhões aprovados até novembro, o maior valor de sua série histórica. Esses números mostram que, apesar dos desafios, há um movimento crescente de financiamento para inovação no setor produtivo.

Caso de Sucesso: Embrapa e o Retorno Social do Conhecimento

A Embrapa exemplifica o poder transformador da pesquisa pública. Em 2024, seu lucro social foi de R$ 107,24 bilhões, dos quais R$ 102,09 bilhões vieram diretamente de tecnologias desenvolvidas para o agronegócio.

Esse resultado ilustra como o retorno social do conhecimento pode superar expectativas, elevando a produtividade, reduzindo custos e posicionando o Brasil como líder global em alimentos.

O Papel do Setor Privado no Ecossistema de P&D

Atualmente, as empresas brasileiras investem cerca de 0,5% do PIB em P&D, totalizando cerca de 1,2% somado ao setor público. Em nações como a Suécia, as companhias destinam 2,5% do PIB, criando um ciclo virtuoso de ciência aplicada e desenvolvimento.

Um estudo da MIT Sloan Review Brasil alerta que a universidade é vista como a única fonte de conhecimento, enquanto as empresas se limitam à aplicação. Essa visão distorcida precisa ser superada para integrar pesquisa e mercado de forma eficaz.

Superando Obstáculos para Valorizar o Conhecimento

Há desafios culturais e estruturais que obesquiam a visão de conhecimento como ativo valioso:

  • Falta de compreensão de que competitividade exige P&D de longo prazo.
  • Incerteza regulatória e política, desestimulando investimentos duradouros.
  • Complexidade fiscal e trabalhista consumindo recursos antes destinados à inovação.

Para reverter esse quadro, é necessário promover:

  • Incentivos fiscais claros e estáveis.
  • Parcerias estratégicas entre academia, governo e empresas.
  • Programas de formação contínua e atualização de habilidades digitais.

Adotar uma cultura de aprendizagem contínua e integrar pesquisa ao cotidiano empresarial traz ganhos exponenciais. O conhecimento deixa de ser custo e passa a ser um investimento de alto impacto.

Conclusão: Construindo o Futuro com Conhecimento

Investir em educação, ciência e inovação não é um gasto, mas a base de um futuro próspero. Do indivíduo ao Estado, cada real destinado ao conhecimento se multiplica em forma de oportunidades, tecnologias e bem-estar social.

Que este artigo inspire gestores, empreendedores e cidadãos a valorizarem o saber como seu melhor ativo, garantindo uma trajetória de crescimento sustentável e competitividade global.

Robert Ruan

Sobre o Autor: Robert Ruan

Robert Ruan é consultor de finanças pessoais e colunista do sabertotal.com. Ele compartilha insights sobre planejamento, segurança financeira e prevenção de dívidas, oferecendo aos leitores orientações práticas para decisões mais inteligentes e responsáveis.