Em um mundo cada vez mais digital, proteger recursos financeiros tornou-se um desafio prioritário. As instituições e usuários individuais enfrentam ameaças constantes que exigem atenção e ação imediata.
Este artigo explora o cenário brasileiro e global, fornecendo dados, estratégias e recomendações para fortalecer a segurança de ativos financeiros.
Contexto Atual da Cibersegurança Financeira no Brasil
O Brasil é reconhecido como um dos países mais visados por cibercriminosos no setor financeiro. Até o primeiro semestre de 2025, registraram-se 314,8 bilhões de tentativas de ataque, segundo levantamento Heimdall/ISH.
Cada organização recebe em média 1.752 ataques semanais, tornando essencial a adoção de práticas robustas. Além disso, em março de 2025, 38% da população brasileira sofreu golpistas bancários ou tentativas de fraude.
O país lidera em inovação financeira com o PIX e o Open Banking, mas essa vanguarda também amplia a superfície de ataque e o interesse de criminosos, elevando as exigências de defesa.
Principais Ameaças e Modus Operandi
Os vetores de ataque evoluem constantemente. Entre eles, o phishing permanece como a tática mais incidente, aliado a técnicas de engenharia social.
- Injeção de SQL em APIs abertas
- Cross-site scripting em aplicações web
- Credential stuffing e roubo de credenciais
- Ransomware e extorsão online
- Clonagem de cartão e golpes por WhatsApp
Golpes via PIX representam 16% das fraudes, enquanto o uso indevido de CPF chega a 11%. A interconectividade por APIs exige atenção redobrada à gestão de terceiros.
Impacto Financeiro e Social
O prejuízo médio com violação de dados atingiu US$ 1,36 milhão em 2024, podendo chegar a US$ 4,88 milhões nos casos mais graves. Organizações com escassez de profissionais de segurança veem esse custo aumentar em US$ 1,76 milhão.
Além do impacto financeiro, há consequências sociais profundas: perda de confiança, exposição de dados pessoais e danos à reputação de instituições e indivíduos.
Investimento, Mercado e Profissionais
O mercado brasileiro de cibersegurança deve alcançar R$ 104,6 bilhões até 2028, com crescimento de 43,8% em relação ao ciclo anterior. Só em 2025, o setor investirá R$ 21,6 bilhões.
Apesar de ocupar a 12ª posição global, o Brasil enfrenta déficit de especialistas. Estima-se capacitar 30 mil profissionais até o fim de 2025, principalmente por iniciativas como Hackers do Bem.
- Aumento médio de 16,1% ao ano em vagas de segurança
- Programas de formação e certificações reconhecidas
- Integração entre universidades e setor privado
No entanto, a segurança de TI figura apenas em quarto lugar nas prioridades de investimento em tecnologias digitais no país.
Estratégias e Soluções de Proteção
As instituições financeiras de ponta adotam arquitetura zero trust para segmentação de rede e controle granular de acessos. Além disso, investem em inteligência artificial para detecção e resposta automática a incidentes, reduzindo o tempo de exposição.
É imprescindível manter uma base sólida de medidas clássicas, atuando em múltiplas frentes e fortalecendo cada camada de defesa.
Normas e certificações internacionais, como PCI DSS e GDPR, devem ser cumpridas rigorosamente, garantindo conformidade regulatória e evitando multas pesadas.
Tendências e Desafios
Globalmente, o orçamento em cibersegurança deve atingir US$ 240 bilhões até 2026, crescendo 12,5% em relação a 2025. No Brasil, observa-se paradoxo: é pioneiro em fintechs, mas adota lentamente práticas maduras de defesa.
Essa discrepância gera maior exposição, com aumento na frequência e sofisticação dos ataques. As organizações precisam equilibrar investimentos e eficácia para acompanhar as ameaças emergentes.
Dicas Práticas e Orientações
Para usuários finais, pequenas ações podem fazer grande diferença na proteção de contas e dados pessoais.
- Nunca clicar em links desconhecidos sem verificar o remetente
- Ativar múltiplos fatores de autenticação sempre que possível
- Manter senhas exclusivas e atualizá-las periodicamente
- Reportar atividades suspeitas imediatamente ao banco
Empresas devem promover treinamentos frequentes, simular ataques e mapear riscos de fornecedores, além de investir em monitoramento contínuo e resposta automatizada para minimizar impactos.
Cenário Futuro e Recomendações
Com a expansão do Open Finance e a digitalização acelerada, as ameaças continuarão a crescer até 2028. O sucesso na proteção de ativos requer sinergia entre tecnologia, pessoas e processos.
Não basta reagir: é preciso antecipar, automatizar respostas e fomentar uma cultura de segurança digital em todos os níveis organizacionais. Só assim poderemos manter nossos ativos financeiros verdadeiramente seguros.
Referências
- https://fenati.org.br/setor-financeiro-brasileiro-ciberataques-2025/
- https://telesintese.com.br/ciberseguranca-investimento-no-brasil-somara-r-104-bi-ate-2028/
- https://www.tecmundo.com.br/seguranca/405929-brasil-e-destaque-no-investimento-em-ciberseguranca-mas-segue-um-alvo-exposto-para-ataques.htm
- https://www.welivesecurity.com/pt/seguranca-digital/brasil-deve-aumentar-em-43-os-investimentos-em-ciberseguranca-ate-2028-aponta-relatorio/
- https://tiinside.com.br/19/11/2025/orcamentos-de-cybersecurity-em-2026-perspectivas-para-o-brasil/
- https://ish.com.br/blog/mes-da-ciberseguranca-o-alerta-que-o-brasil-nao-pode-ignorar-mais/
- https://news.microsoft.com/source/latam/ia-pt-br/extorsao-e-ransomware-impulsionam-mais-da-metade-dos-ataques-ciberneticos/?lang=pt-br
- https://febrabantech.febraban.org.br/temas/seguranca/brasil-deve-investir-r-104-6-bilhoes-em-ciberseguranca-ate-2028
- https://segura.security/pt-br/post/estatisticas-de-ciberseguranca/







